A convite da Importadora Vinissimo, me encontro em São Paulo para participar da Expvinis 2011, a maior feira de vinhos da América Latina.
Estarei dividindo aqui os pontos principais destes três dias de evento.E espero que sejam muitos pontos!
Por enquanto só uma certeza: muito vinho bom para ser apreciado...
terça-feira, 26 de abril de 2011
quarta-feira, 13 de abril de 2011
Para que serve o vinho...
Tenho o hábito de dizer que tenho muita sorte de trabalhar com duas das coisas entre as que eu mais gosto nesta vida: com pessoas, e das mais diferentes classes, e é claro, com o vinho! Muitas vezes vejo meu trabalho se misturando com o meu "hobby" e o meu "hobby" se misturando com o meu trabalho. Pois quem trabalha com vinho é assim mesmo, até na sua folga um dos assuntos que você mais fala é sobre aquilo com que você trabalha, neste caso, o próprio vinho. Será que deu para entender? Meu complicado né?
Num determinado momento isto me icomodava um pouco, não sabia até onde era trabalho, até onde não era, mas isso é coisa do passado, acho que sei me dar melhor com esta situação nos dias de hoje...
Sempre me perguntam para que serve o vinho (no quesito saúde): e sempre respondo aquilo que leio por aí: vinho raleia o sangue, combate o colesterol e faz bem para o cabelo (esta é uma grande mentira, prova disto é este caeca que vos escreve...) Mas na verdade, a grande vantagem que o vinho tem sobre qualquer outra bebida é só uma: ALIMENTA A ALMA! E faz de um momento comum um momento simplesmente inesquecível!
Hoje de manhã recebi esta foto do meu irmão Bruno - de sangue e de vida - o caçula da primeira leva - o qual me enche de orgulho! E veio em mente um momento nostálgico, e olha que eu nem estava presente, mas tenho o prazer de ter sido muito bem representado por uma garrafa de vinho.
Foi na despedida de um outro irmão, Daniel Lima, no seu último show com a Singles (melhor couver de Perl Jam que já existiu no Brasil), antes deste ir estudar música em Nova Iorque.
O vinho na ocasião foi um magnum de Carpe Diem Reserva Syrah 2006 - um chileno muito bem feito, digno para o dia-a-dia, mas que nunca iria se destacar entre os grandes vinhos. Mas que naquele momento, o fez um grande vinho!
E é simplesmente para isto que o vinho serva: para alimentar a alma e gravar na sua memória momentos inesquecíveis! Um momento Vinum Regnum!
quinta-feira, 31 de março de 2011
"São as águas de março fechando o verão"
Final de março, final de verão! Chega ao fim a estação mais quente do ano. E o verão leva contigo alguns hábitos típicos do clima quente - como por exemplo, o consumo de vinhos brancos e rosés diminuem consideravelmente, dando espaço para o consumo de vinhos tintos, que tem tudo haver com esta época e com a gastronomia explorada neste período.
Mas neste último verão tivemos algumas gratas surpresas: primeiro que nunca se consumiu tanto vinhos brancos e rosés na capital mineira como neste ano - sinal que o brasileiro realmente está quebrando alguns preconceitos, e principalmente, estão sabendo comer e beber melhor, preocupados com a melhor harmonização, com a maior satisfação no ato de comer. E em segundo lugar é que as importadoras se preocuparam em trazer maior número de opções de vinhos brancos e rosés, e o principal, com uma qualidade consideravelmente superior.
Dentre tantos vinhos brancos de ótima qualidade ofertados no mercado, daria destaque para dois que me chamaram muita a atenção: o espanhol VIENTO ZEPHYROS ZERBEROS 2008 e o sul-africano STEENBERG SAUVIGNON BLANC 2009 - vinhos fantásticos dentro da sua margem de preço, muito atípicos entre outros brancos ofertados no mercado. VIENTO ZEPHYROS 2008 é um vinho que já encanta pelo rótulo, pelo simples fato do mesmo ter sido desenhado pelo vento Zephyros - isto mesmo, desenhado pelo vento - que empresta seu nome ao vinho: corte de Abillo Real (uva pouco explorada - mas que é protegida pelo conselho regulamentador de Ribeira Del Duero) e Sauvignon Blanc, estagiado durante 9 meses em barricas francesas usadas de 500 litros. A riquesa de informações que este vinho nos proporciona é fantástica: amanteigado, passando por baumilha, evoluindo para um agradável toque de frutas brancas, floral bem delicado - tudo isto acompanhado com um toque de frutas secas e um leve oxidativo, estilo jerez que me agrada muito. Simplesmente surpreendente!
Já o STEENBERG SAUVIGNON BLANC 2009 preza pela sua delicadeza, pela sua sutiliza. Este Sauvignon Blanc sul-africano encanta aos olhos com seu amarelo palha, com reflexos esverdeados, límpido e muito brilhante!Um toque de salinidade é o que mais chama a atenção na avaliação aromática: mineral, pessego fresco e limão siciliano são facilmente identificados neste vinho rico, tudo isto moldado com um defumado muito atípico para este estilo de vinho, mas ao mesmo tempo muito encantador!Na boca um frescor invejável, com uma acidez no ponto certo! Frutas brancas como pessego e principalmente maçã verde são marcas registradas neste elegante Sauvignon Blanc!
Simplesmente os dois melhores vinhos brancos do meu verão! Gratas surpresas! Que vão deixar saudades do verão 2010-2011.
terça-feira, 22 de março de 2011
Uma Janela para o Território
"Uma janela sobre o teritório" - assim Marco Pallanti - enólogo e proprietário da vinícola Castello di Ama define seus vinhos produzidos na região do Chianti Clássico. Um verdadeiro respeito ao terroir local. O próprio Pallanti se intitula como um verdadeiro "parteiro de vinhos", não um enólogo propriamente dito. Pois segundo ele, o seu papel ali é apenas ajudar "a dar a luz" a um produto já criado, respeitando o tempo da mãe - neste caso a videira - e respeitando o tempo do filho - no caso, o ponto certo do vinho ali produzido.
Castello di Ama dispensa apresentações maiores, por várias safras conseguiram pontuações máximas por grandes críticos de vinhos espalhados pelo mundo. O que comprova todo o potencial desta região tantas vezes tão criticada mundo a fora. Marco Pallanti não fica atraz dos méritos desta vinícola familiar: considerado por alguns anos como o melhor enólogo, ou caso queira o melhor "parteiro" da Itália - ele justifica muito bem todo este respaudo em seus vinhos.
Na degustação realizada na Mistral BH, foram apresentados cinco vinhos bem interessantes: VIGNA AL POGGIO 2009 (Chardonnay com Pinot Grigio muito interessante - com um belo frescor, uma acidez adequada e com aromas florais encantadores); ROSATO 2009 (um rosé de Sangiovese e Canaiolo muito agradável e "fácil" - ótimo para um final de tarde num happy- hour). CHIANTI CLÁSSICO CASTELLO DI AMA 2006 (aqui a coisa começou a ficar muito séria - um autêntico Chianti Clássico, com 80% de Sangiovese e 14 meses de barrica. Toques de frutas negras, tabaco e defumado acompanhado de uma bela acidez que todo bom Chianti deve ter são pontos fortes deste vinho - a safra 2006 foi uma safra especial, pois foi o ano de comemoração dos 25 anos da vinícola). CHIANTI CLÁSSICO VIGNETO LA CASUCCIA 2006 (corte de Sangiovese com 80% e Merlot com 20%, este vinho sorbebo e extremamente elegante foi o Chianti Clássico mais bem pontuado pela crítica especializada de todos os tempos - simplesmente fantástico, uma riqueza de informações na taça que fica até dificil de descrever em poucas palavras - pra mim o melhor vinho da tarde!). E para finalizar com alto estilo nada mais nada menos que um dos Super Toscanos mais disputados na atualidade: VIGNA L´APPARITA MERLOT 2006 (trata-se de um Merlot extremamente elegante e balanceado, que te conquista no primeiro olhar até o último gole - riqueza aromática fantástica e com um belíssimo retrogosto - ainda está "verde" - mais alguns anos de garrafa vão fazer muito bem para este vinho).
E assim finalizamos mais uma degustação memorável de vinhos italianos oferecida pela equipe da Mistral BH. E aqui deixo o meu mais sincero agradecimento!
Grazie Tante per tutta la equipe della Mistral BH! Grazie tante a Castello di Ama e Marco Pallanti!!!
terça-feira, 15 de março de 2011
Chile - diario de bordo - parte 4
Marcelo Retamal - considerado por muitos como o melhor enólogo do Chile e um dos maiores destaques das Américas.
Último dia de visitas às vinícolas do Chile, e não poderia ser melhor: literalmente fechamos estes dias de muitos conhecimentos e experiências novas com vinhos diversos com chave de ouro! E motivos para isto é que não faltaram:
Primeiro fomos recebidos na vinícola De Martino por quem realmente entende do assunto, o enólogo da vinícola Marcelo Retamal - considerado pela crítica especializada como o melhor enólogo do Chile na atualidade - que está com um trabalho fantástico de "reinvenção do vinho chileno". Apostando os seus conhecimentos em vales até então pouco explorados neste país - como por exemplo o gelado Vale de Elqui. Na ocasião, Retamal nos deu uma verdadeira aula sobre as diversidades das regiões chilenas, deixando bem claro a importância de explorar a difersidade geográfica e climática deste país - produzindo vinhos cada vez mais diversos, cada vez mais únicos.
A aula foi seguida de uma degustação de oito vinhos da De Martino, apresentados pelo próprio criador. Foi uma degustação de vinhos brancos e tintos bem distintos de cinco vales diferentes (Limari, Casablanca, Maipo, Choapa e Elqui)- ótima oportunidade para conhecermos não só o estilo dos vinhos e suas uvas, mas principalmente o estilo de cada vale. O grande destaque da degustação ficou por conta do tinto ALTO LOS TOROS 2008 (Vale de Elqui) - um corte de Syrah e Petit Verdot de belíssima estrutura acompanhada de uma riqueza aromática fantástica: cravo da índia, tabaco, pimenta e frutas negras em compota prevalecem neste vinho. Na boca um pouco verde devido a pouca idade, mas os taninos já estão bem trabalhados e com uma persistência formidável.
E como não se bastace toda esta aula acompanhada de uma bela degustação, ainda tivemos a oportunidade de participar do início da vendímia de Sauvignon Blanc da De Martino. Um momento único, que com certeza vai ficar na memória como um dos principais momentos desta viagem oferecida pela Decanter.
No final da tarde ainda fomos conhecer outra vinícola de grande destaque na região do Maipo, a famosa El Principal - que dispensa apresentações maiores... Paisagem fantástica, estrutura fantástica e vinhos muito bem trabalhados! O "gran finale" não poderia ser melhor... A princípio fomos apresentados a um Sauvignon Blanc ainda em processo de fermentação, experiência bem interessante. E depois fizemos uma degustação dos três vinhos tintos da vinícola dentro da impactante sala de barricas. Calicanto 2009, Memórias 2007 e El Principal 2006. Todos eles ainda novos, mas que mostram para que veio. O El Principal principalmente, com toda sua complexidade e elegância, como não poderia ser diferente! Depois nos foi oferecido um jantar entre as plantações de Cabernet Sauvignon do El Principal, com uma paiságem estonteante, simplesmente sem comentários!
E este foi o nosso último dia de visitas. E que o próximo seja breve! Se assim Deus permitir...
Paisagem da vinícola El Principal - simplesmente uma das vinícolas mais bonitas que já conheci!
quinta-feira, 10 de março de 2011
Chile - diario de bordo - parte 3
Vinhedos do Caliterra - no coração do Vale de Colchagua.
Pra onde foi todo aquele herbáceo "típico" do Carménère chileno que tanto era criticado? Acho que esta seria a melhor pergunta depois de um dia de degustação de grandes Carménères.
Eis que estamos no Vale de Cochagua, região que fica no centro-sul chileno, em torno de 200 Km da capital Santiago. Região extremamente encantadora, de clima muito quente, seco, muito apropriada para a produção de Carménère e Cabernet Sauvignon.
A visita foi à Vinicola Caliterra, uma das mais respeitadas da região, e com certeza com uma das paisagem mais impactantes. As boas vindas foram dadas pelo engenheiro agrônomo Marcelo, que além de ter nos guiado por vários vinhedos distintos da Caliterra dentro do mesmo vale, nos explicou com maestria a política da vinícola de elaborar "vinhos amigáveis", com uma agricultura de precisão, vinhedos sustentáveis, e alguns até com o certificado de vinhedos orgânicos. E de que forma este trabalho com vinhedos sustentáveis podem refletir não só no vinho como no dia a dia de toda a comunidade em torno do Vale de Colchagua.
Posteriormente, fizemos uma degustação completa da linha Caliterra dirigida pelo enólogo Gabriel Cancino. Foram 15 vinhos degustados, entre as linhas Reserva, Tributo, Bio Sur, Tributo Edición Limitada e Cenit (a grande estrela da companhia - que dispensa apresentações maiores). E como não poderia ser diferente, a bola da vez foram os vinhos tintos, em especial aqueles produzidos com a uva Carménère. E o que mais me chamou a atenção foi a ausência daquele toque herbáceo típico do Carménère chileno, que para muitos (inclusive pra mim) se tornavam cansativos na medida que ia consumindo o vinho. Acho que isto já é reflexo da tal "reinvenção do vinho chileno" que tanto ando escutando recentemente.
Dentre todos, sem considerar o Cenit 2006 e o Cenit 2007, pois estes dois estão alguns vários degraus acima do restante, o meu grande destaque fica para o Caliterra Bio Sur Carménère 2009 - vinho com uma riqueza aromática fantástica: pimenta branca, uma goiaba bem delicada, amora madura evoluindo para um defumado e um cacau muito bem integrado! Na boca os taninos estão vivos e bem domados, nada agressivos, acompanhado de uma acidez agradável - amoras maduras e um leve toque de defumado prevalece aqui. Um Carménère acima da média pelo preço que é praticado!
Visita perfeita, em uma paisagem deslumbrante e com um acompanhamento técnico fantástico. Dureza foram as três horas de viagem de volta para Santiago. Mas valeu e muito o sacrifício!
Vinhedos de Carménère - a grande estrela do Vale de Colchagua.
segunda-feira, 7 de março de 2011
Chile - diario de bordo - parte 2.
Mesa de degustação de frente para os vinhedos de Pinot Noir - Terra Noble - Casablanca.
Finalmente um Riesling chileno! Está aí uma coisa que me deixava incucado, por quê uma região como Casablanca, com todo o histórico de referência para produção de vinhos brancos e Pinot Noir não exploravam uma outra uva branca que não fosse Sauvignon Blanc e Chardonnay... mas eis que minha inquietação sobre isto acabau!
Mas vamos começar do começo, eis que voltamos para Casablanca para conhecer o novo projeto da Terra Noble nesta região.E a primeira coisa que chamou a atenção foi a diversidade de clima e terra que aí se encontra. Já que estivemos em Casablanca no dia anterior, foram visíveis as diferenças.
Fomos recebidos pelo simpáticos Juan Carlos (diretor de exportação) e Francisco Matte (engenheiro agrônomo) que nos deu uma excelênte aula de terroir e adaptação de raízes ao solo. O que fez cair por terra a história de pé franco no Chile.
Depois de conhecermos varios quarteis bem distintos um do outro, fomos para mesa de degustação para degustarmos os vinhos da Terra Noble. E a atração mais uma vez ficaram para os vinhos brancos. Todos os três apresentados foram muito interessantes, e com um balanço e equilibrio muito agradável, que é o que interessa para a vinícola, quase que uma filosofia de trabalho. Mas os que mais me chamaram a atenção foram os dois Riesling, que ainda não temos no Brasil, dos quais falerei mais detalhadamente neste momento:
TERRA NOBLE RIESLING 2010 - a princípio um pouco tímido no aroma, mas aos poucos vai se mostrando de forma sutil. Um agradável aroma de limão siciliano prevalece neste vinho, evoluindo para flor de laranjeira na medida que vai se abrindo na taça. Na boca uma bela acidez e um frescor muito agradável. O limão siciliano é facilmente encontrado aqui novamente.
Um ótimo exemplar daquilo que indaguei no começo: Casablanca tem terroir propício para este estilo de uva...
TERRA NOBLE RIESLING (70%)SAUVIGNON BLANC (30%) 2010 - aqui está o meu vinho do dia! Apesar de não ser um Riesling 100%, aqui sim encontramos nuances de petróleo e mineral que se espera desta uva. Bela acidez e ótima persistência, com um cítrico bem marcante no final de boca são pontos marcantes neste agradável vinho.
Estes primeiros Riesling chilenos que conheci já valeram a viagem...
Francisco Matte na mesa de degustação - depois de uma belíssima aula de terroir e adaptação de raízes.
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